sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Valsa para uma menininha

 

Valsa para uma menininha

Vinicius de Moraes

Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão


Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão


Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei

sábado, 21 de setembro de 2013

Vergonha suprema



Não irei aqui discutir o mérito do julgamento ocorrido na última quarta-feira na Ação Penal número 470, apelidada de Mensalão. A aceitação do recurso chamados embargos infringentes é discussão técnica demais para ser abordada nessas poucas linhas. Comentarei sobre a sensação de impunidade e de casuísmo que tal decisão provocou naqueles que estavam a par do que ocorria no Supremo Tribunal federal, órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro.

A Corte viveu momentos de grande aceitação por parte do povo brasileiro. O ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, passou a ser visto como guardião da integridade em nosso país, tendo seu nome sido cogitado para a Presidência da República. Tudo isso pelo trabalho sério e independente que realizou ao longo do processo. Por outro lado, o revisor Lewandowski representou para muitos o defensor dos interesses dos corruptos. Colocou-se sempre em posição oposta ao relator e, de certa, forma, a favor dos acusados. Lembrando que o referido caso, denunciado em 2005, foi julgado em 2012, com a condenação de 25 réus, no que parecia ser um momento de ataque à corrupção no Brasil.

Faltava apenas discutir se uns últimos recursos propostos pela defesa seria cabíveis ao caso ou não. Era dado como certo de que não seriam aceitos e que, finalmente, os condenados começariam a cumprir suas penas. O destino, porém, quis que antes da análises desses recursos, dois ministros do Supremo se aposentassem compulsoriamente, por fazerem 70 anos. Carlos Britto e César Peluso sempre votaram contra os acusados, acatando as provas da denúncia. Em seus lugares, a Presidente Dilma indicou dois novos ministros que, mesmo sem ter acompanhado todo o processo, iniciaram sua participação justamente na apreciação dos recursos. Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki votaram, então, a favor dos réus, o que possibilitou que a maioria do Supremo entendesse, por seis votos a cinco, que os recursos propostos eram cabíveis. Isso praticamente reabre o processo para 12 dos 25 condenados, que aguardarão em liberdade até que tudo seja novamente decidido, o que somente deve ocorrer no próximo ano.

A sensação do povo brasileiro é a de que tudo foi sabiamente premeditado. Óbvio que não se pode provar isso. Questões técnicas, como dito não serão tratadas aqui. Mas a certeza é a de que a justiça brasileira perdeu uma ótima oportunidade de se firmar como poder símbolo da idoneidade, deixando que pairasse sobre ela a perigosa sombra do atendimento a interesses de poderosos. A corrupção agradece.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A banalização da imagem





O surgimento constante de novos aplicativos para smartphones causa verdadeira mudança nos valores sociais. Atitudes antes consideradas reprováveis pelas pessoas passam a ser vistas como “normais” e, de repente, vemos jovens agindo de maneira vergonhosa.

A bola da vez é o aplicativo WhatsApp. A facilidade de comunicação e, principalmente, de compartilhamento de fotos e vídeos relegou ao segundo plano os cuidados com a imagem. Os usuários, geralmente organizados em grupos, recebem os arquivos de mídia,  e, em instantes, toda a rede e, consequentemente, cidades inteiras recebem as imagens das novas estrelas das redes sociais. Tais estrelas são, na grande maioria dos casos, adolescentes. Em poses eróticas, deixam a infância de lado e expõem sua nudez de forma fútil. A timidez e o pudor que antes eram vistos como motivo de orgulho passaram a ser vistos pela “turma” como atitudes “caretas”. O que vale agora é a exibição do corpo e a transgressão dos valores morais que a sociedade sempre ditou ao longo dos tempos.

Qual será o fim de tudo isso? Depende. Não da vontade das pessoas ou da mudança desse tipo de comportamento. Isso não irá mudar. Ao contrário, tende a aumentar ainda mais a banalização. Na verdade, o que irá acontecer depende do que será capaz de fazer o próximo aplicativo da moda. Será ele que ditará o comportamento social.

domingo, 11 de agosto de 2013

Perguntas que não querem calar





Por que um garoto de apenas treze anos, tido como amável e sem qualquer histórico de transtorno mental, mataria, em uma só noite, pai, mãe, avó e tia-avó?


Por que os pais, policiais militares (ele, inclusive da ROTA, polícia de elite de São Paulo), não esboçaram qualquer reação de defesa? 

Por que a Polícia, menos de 24 horas após os fatídicos acontecimentos, apressou-se em anunciar o menino como o responsável pelos crimes? 

Por que o delegado responsável pelas investigações não aguardou a realização de sequer uma perícia para analisar a autoria do crime? 

Por que começaram a surgir testemunhas identificadas apenas como “um amigo do menino”, “um vizinho”, afirmando que o garoto sabia atirar e dirigir e ainda que tinha planos de se tornar um matador de aluguel? 

Por que a família e os amigos da escola não acreditam que o garoto cometera o fato, devido a seu comportamento exemplar, inclusive de boa relação com os pais? 

Por que, caso realmente tenha cometido o crime, o rapaz foi à escola como se nada houvesse ocorrido e só no retorno à sua casa tenha se suicidado? 

Por que não há resquícios de pólvora nas mãos do menino, mesmo após ele ter disparado quatro vezes com uma pistola .40? 

Por que o comandante da polícia afirmou que a mãe do garoto havia denunciado colegas policiais em esquemas de corrupção, mas em depoimento oficial negou tal fato? 

Por que não há resposta a todas essas perguntas?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O que querem os médicos?



A cidade de Conselheiro Pena, em Minas Gerais, tenta contratar um pediatra e um ortopedista há doze meses. Salário de 20 mil reais, somados todos os ganhos. Valor bem acima da média nacional. Em outra cidade mineira, chamada Manga, o salário é um pouco menor: 17 mil reais. A situação, porém, é a mesma: mais de três meses com falta de médico.

É preciso observar que os exemplos acima vêm de um Estado da região Sudeste, embora as cidades sejam pequenas. Nas regiões Norte e Nordeste, a situação certamente é muito pior, devido à conhecida falta de condição econômica da população, o que a faz depender muito mais da saúde pública. Para se ter uma ideia, estão na região Norte somente 4% dos profissionais brasileiros com registro nos conselhos de saúde.

Eis que o Governo Federal, buscando acabar com essas lacunas de profissionais da área da saúde em certas regiões do Brasil, resolveu adotar um programa que, ressalte-se, já é adotado em diversos outros países. Médicos estrangeiros para suprir as vagas em aberto e minimizar o sofrimento da população. Não se trata de uma mera invasão de qualquer profissional. Serão feitas provas que determinarão a condição do profissional, atestando ou não sua capacidade para atuar aqui no Brasil.

E qual a reação dos médicos? De revolta, de protesto, de indignação. Não querem de forma alguma a chegada dos colegas estrangeiros. Ou seja: os médicos brasileiros, que se formam e buscam trabalhar somente nos grandes centros, nem vão para as pequenas cidades ou Estados mais distantes, como também não querem que médicos de outros países o façam. A medida da importação dos profissionais da saúde se mostra, muito mais que interessante, realmente necessária. Que não se deem ouvidos aos que nada fazem e estão descontentes com as melhorias.